terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"O sentido da vida": uma análise do programa Mais Você, da Globo

NÃO sou uma pessoa que vê televisão o tempo todo; para ser sincera, hoje, quase nunca perco tempo em ligá-la, nem mesmo durante a transmissão dos telejornais.  Foi-se o tempo em que ela era um entretenimento para mim; no entanto, passei a ser uma "viciada" em internet.  Tudo que quero saber encontro na "rede";  até os filmes que vejo confesso que baixo de lá e só aí ligo a TV para introduzir o pen drive e assistí-los na tela grande.


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foto por www.emaze.com
Mesmo não assistindo a pessoa acaba se dando conta de certas coisas que passam por lá, até porque a maioria dos programas são gravados e/ou retransmitidos via internet na página do canal - às vezes de forma paga, às vezes não. 

Hoje, a informação que obtive sobre o assunto que falarei veio a mim, inicialmente, na forma de um post da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) no facebook e por comentários no referido post.

A partir daí fui buscar a informação de forma mais completa. Acabei encontrando o programa de que falavam; ele se trata do "Mais Você" e o assunto do momento era: "O SENTIDO DA VIDA E DA FELICIDADE"; por sorte ele estava quase completo, com isso pude ter uma ideia bastante complexa do que foi tratado e como foi tratado!

PESSOAS ENTREVISTADAS NO PROGRAMA

Mário Sérgio Cortella (Filósofo Educador);
Sri Prem Baba (Líder Espiritual e Humanitário);
Monja Coen (Pensamento Zem Budista) e,
Lama Michel Rimpoche (Budismo Tibetano, entrevistado por skype direto da Itália).

O post que citei acima estava cheio de críticas!  As pessoas diziam que nem sequer iriam perder o tempo vendo tal coisa já que se tratava de "religião"!   O fato é que se as essas pessoas não viram, apenas ouviram a "chamada", deveriam ter ter ficado quietas pois não foi exatamente esse ponto, "o CHAVE", tratado no programa. Perderam a chance de ficarem caladas, assim não passariam vergonha!  

Quando a pessoa quer criticar algo tem que tomar conhecimento desse algo antes!  Como disse na introdução, não assisto TV, mas quando fiquei sabendo do assunto fui procurá-lo para ter certeza do que, realmente, se tratava para poder comentá-lo.

O Educador Mário S. Cortella não tocou no assunto religião em nenhum momento; apenas falou no alienamento pessoal de quem não descobre o sentido para a vida ou vive como se não houvesse sentido algum - cada um tem que dar um sentido a sua vida; mas não temos uma resposta pronta de qual seria o sentido para cada pessoa, nem a filosofia tem, para desvendar esse mistério. 

Segundo ele "ninguém é feliz em sua plenitude, quem está feliz o tempo todo é tonto, não é normal - a vida é assim; existem distúrbios, altos e baixo - a felicidade é uma ocorrência do dia a dia; quem disser que um dia será feliz estará se enganando; viva a vida cada momento dando o seu melhor; um dia iremos morrer, mas todos os outros não"!

O Líder Espiritual Sri P. Baba disse que "o sentido da vida de cada pessoa é o que ele faz de melhor e o que quer fazer de melhor para si ou para os outros; o que sente feliz fazendo e o que deixa de fazer sentido se não o fizer".  Para se explicar melhor deu o exemplo de um cozinheiro que expressa o amor cozinhando; a partir do momento que a pessoa não puder mais cozinhar a vida deixará de ter sentido.

Apesar de se tratar de um "líder espiritual" ele também não falou de religião; falou, belamente, de autoconhecimento. 

- Quando é que a pessoa percebe que está vivendo de forma equivocada, sem sentido.  Onde estou me colocando? O que estou fazendo da minha vida?  O que estou fazendo com o meu poder de decisão, meu poder de escolha?  Você está onde gostaria de estar? Para que você acorda de manhã?

A repórter então lhe pergunta: em que momento a pessoa deve tomar consciência disso? Ele responde: quando ela se der conta que está seguindo um caminho que não escolheu; isso vem com alguns sintomas e o mais comum é a ansiedade e uma angústia contínua que não se explica acompanhada até de uma certa vergonha; um sentimento de inadequação, de não pertencimento, de desencaixe - a vida realmente não faz sentido - essa é a hora de parar, meditar e buscar algo que faça sentido.

Segundo ele tudo na vida tem um sentido - um exemplo disso é a macieira (ela nasceu para dar maçãs); nós, seres humanos, nascemos para amar!

Já a Monja Coen, do Pensamento zem Budista, afirmou que o sentido da vida é vivê-la com plenitude, é fazer o seu melhor em qualquer circunstância. Querer o bem do coletivo e não apenas do eu individual; no entanto, para amar aos outros temos, primeiro, que nos amar.

Além disso, olhar para si mesmo e fazer a pergunta: que sentidos estou dando a minha existência de um modo geral? Há um momento em que o sentido da vida de uma mãe são seus filhos que estão sob sua proteção, sendo amamentados; no entanto, chegará o dia em que eles sairão desse "ninho" e "voarão" sozinhos - e daí, qual será o sentido da vida dessa mãe? Pergunta: para que rumo vou, que trilha tomarei? 

Sempre há tempo de recomeçar, mas há que olhar em sua profundidade, em seu âmago - praticar a respiração consciente, esse é o "truque"!

E por fim, o Lama Michel Rimpoche, do Budismo Tibetano responde ao questionamento de que o sentido da vida seria "vivê-la como um meio para algo melhor e não apenas como um fim por si só. Para isso ele diz que há apenas 2 caminhos: o primeiro é você se transformar, cada dia, numa pessoa melhor e o outro é viver para transformar a vida do próximo e o mundo num lugar melhor".

ENTREVISTA DE ESTÚDIO

Além dos entrevistados, citados anteriormente, há uma especialista em mente humana, depressão e ansiedade que foi entrevistada pela "âncora", substituta do programa, a apresentadora Cissa Guimarães. Trata-se da psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa, que introduziu o assunto afirmando que o sentido da vida é a trajetória.

A pessoa que só fica na prática, na ação do dia a dia (comer, dormir e trabalhar imaginando que assim encontrará a felicidade) não se conecta verdadeiramente (cérebro e coração) e acaba por desenvolver 1 de 2 tipos de fuga praticada pelo ser humano: Um, para fugir do sofrimento, por não saber dizer não, para deixar de tentar controlar as situações ruins do dia a dia de quem ama, para não desagradar e ferir os outros acabará desenvolvendo ansiedade, depressão e angústia; o outro tipo de pessoa pensa que em não podendo controlar tudo, literalmente, "chuta o pau da barraca" e vai em busca do prazer, do agora, para esquecer tudo (vícios das drogas, internet, compras, bebidas, etc) - os dois podem desenvolver depressão.

Para terminar a Psiquiatra disse, inclusive, que quanto maior o número de pessoas com depressão maior será a quantidade de gente a descobrir o sentido da vida - isso se dá pela introspecção que as pessoas terão que fazer (voltar para si mesmas, se redescobrir, perceber o que realmente importa).

Esses foram, basicamente, os pontos discutidos no programa; apenas, no final dele, Cissa Guimarães "puxou" e introduziu o assunto religião e fé.  Para isso ela se utilizou dos dizeres de  Maria Betânia: "tenho tanta pena de quem não tem fé"; e sorriram juntas, de forma jocosa, diria que até meio preconceituosa.

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Não havia necessidade disso; a entrevista ia tão bem, o programa foi proveitoso - para religiosos, para quem tem fé e até para quem não tem; por que terminar com essa falácia?  Não contentes seguiram dizendo que até o ato de você não ter fé é ter fé em alguma coisa (- COMO ASSIM???😒).

E não ficaram por aí; a Psiquiatra veio com mais uma afirmação infundada: "essa coisa do ateísmo, de que deus não existe, parte do pressuposto de como ele seria para negá-lo"...ÃHHHÃH😕😕 Que isso?😩  Mais uma vez fiquei sem entender, afinal, não seria quem afirma a existência que deveria provar?  No jurídico nós chamamos isso de "ONUS DA PROVA" e ele sempre é de quem alega..., os ateus não crêem na sua existência; os crentes (de qualquer fé 😇) são os que afirmam que ele existe, PORTANTO, provem!

Para ser feliz, para encontrar o sentido da vida não precisa alienar-se do mundo real; entrar num mundo do imaginário, do inexistente. Procure dentro de você o que lhe falta, busque algo do que gosta, algo que se possa ver e/ou tocar; até mesmo algo que não se possa tocar como a música, a dança, a meditação - mas algo que seja real, que possa ser feito e desfrutado aqui neste mundo, porque num próximo, ou num imaginário não será possível!

Por Elane F. de Souza (Advogada, Autora e Editora deste blog - ao copiar ou redistribuir cite a fonte) - artigo baseado no programa Hoje em Dia de 09-01-2017

Fonte do Programa MAIS VOCÊ, da Globo (de 09/01/2017)




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